terça-feira, 21 de agosto de 2007

O Processo de Revelação

A emulsão sensível uma vez exposta é formada por:

- imagem latente

- cristais de brometo de prata que não foram expostos

Necessidade de um redutor

Para tornar visível a imagem latente são necessários electrões que transformem os cristais de brometo de prata expostos em prata metálica. Estes electrões são cedidos por um redutor, papel desempenhado pelo revelador.

A reacção química que se produz é principalmente de redução-oxidação em que o revelador se oxida ao ceder os electrões à prata.

Acção do revelador no cristal exposto

No processo de revelação, a formação de prata metálica deve-se ao ataque dos electrões cedidos pelo redutor. Mas, em determinadas condições de revelação (tempo, temperatura, revelador, etc.), estes electrões só poderão transformar em prata os cristais que não estão rodeados pela couraça de brometo, quer dizer, a imagem latente.

Assim, esta imagem torna-se visível, ao transformar todo o cristal em prata metálica. Os cristais não expostos devido à sua couraça ou cobertura negativa repeliram os electrões (as cargas eléctricas de sinal igual repelam-se), não impedindo a revelação destes cristais.

Apesar disto, se o revelador é excessivo, a cobertura negativa dos cristais não expostos é incapaz de impedir o ataque dos electrões, pelo que se produzirá uma revelação parcial destes cristais, adquirindo a película uma cor de tom cinzento. Este fenómeno conhece-se como véu químico.

1. O REVELADOR

Componentes de um revelador:

Redutor

É uma substância química que actua principalmente sobre os iões de prata expostos. A substância mais utilizada é o metol e a hidroquinina.

Conservante

Protege o agente revelador da oxidação mediante a acção do oxigénio do ar e reage com o revelador oxidado para evitar que este escureça e manche a emulsão. O conservante mais utilizado é o sulfito de sódio.

Acelerador

O redutor sozinho é pouco eficaz. Por isso necessita de uma base para iniciar a revelação. O acelerante mais comum é o carbonato de sódio. A actividade de um revelador é proporcional à sua alcalinidade.

Retardador anti-sombra

Evita que os cristais não expostos sejam reduzidos à prata metálica e se dê origem à sombra química.

Tipos de reveladores:

Revelador de tom contínuo

O agente revelador é composto à base de metol e de hidroquinona. Segundo a proporção em que se combinam teremos reveladores de tom contínuo mais ou menos suaves, sabendo que a hidroquinona dá contraste e o metol detalhe (recorte). Serve para revelar emulsões de tom contínuo.

Revelador «rapid-access»

É um revelador à base de metol e hidroquinona, muito concentrado, no qual se pode revelar a película de luz diurna, película de tom contínuo e película «lith» exposta com luz «laser» no «scanner».

Revelador «lith»

A hidroquinona, ou agente revelador, tem como substância acelaradora o hidróxido de sódio, que é o que proporciona o efeito «lith». Este tipo de reveladores preparam-se sempre em duas partes separadas. A parte «A» contém os agentes reveladores, é neutra ou ligeiramente ácida, para evitar que os compostos se deteriorem. A parte «B» contém o acelerador e é alcalina. Estas duas partes apenas se misturam quando se vão utilizar, já que a mistura se oxida mais facilmente pelo contacto com o oxigénio do ar. Utiliza-se para revelar emulsões «lith».

Factores físicos que influenciam na revelação:

Concentração do revelador

O fabricante indica uma proporção para dissolver em água o revelador concentrado. Se se aumenta a proporção de água em relação à do revelador, este fica mais suave. Se se diminuir, fica mais activo.

Durante o tempo de revelação a concentração vai diminuindo à medida que o revelador se vai oxidando, fazendo com que este perca a sua eficácia. Por isso deve regenerar-se, para manter constante a concentração e a actividade.

Agitação

Uma maior agitação ajuda a aumentar o contacto do revelador com os cristais e por conseguinte torna o processo mais ágil.

Temperatura

A temperatura normal é de 20ºC, quando o processo se faz manualmente. Se se revela numa reveladora temperatura deve ser de 27ºC. Os reveladores rapid-access podem alcançar 35º ou 40ºC.

Tempo de revelação

A redução de prata produz-se enquanto está em contacto com o revelador. Por esta razão a acção da revelação aumenta com o tempo.

2. BANHO DE PARAGEM

É uma solução ácida composta normalmente por ácido acéptico a 10% e água. A sua função consiste em deter a acção do revelador e proteger o fixador. Isto consegue-se quase automaticamente quando o revelador alcalino é neutralizado pelo banho ácido de paragem. Esta neutralização rápida impede a continuação da revelação sobre a emulsão.

Por vezes utiliza-se água em vez do banho de paragem. Desta forma, dilui-se o revelador da emulsão até deixar de ser eficaz. A duração do banho de paragem deve ser de 10 a 20 segundos.

3. O FIXADOR

Depois da imagem latente ter sido revelada para obter uma imagem visível, a emulsão ainda contém cristais sem exposição que se escurecem se lhes der a luz.

A missão principal do banho fixador consiste em dissolver os cristais de brometo de prata não expostos.

Tipos de fixadores

Neutros

Consistem numa solução pura de tiosulfato. É necessário passar a emulsão por um banho de paragem.

Ácidos

São soluções de tiosulfato sódico. É acrescentada uma substância ácida como o ácido acéptico para neutralizar todo o revelador alcalino que permaneça na emulsão e para contribuir na manutenção da acidez do fixador a um nível adequado. Podem utilizar-se sem banho de paragem.

Rápidos

Contém tiosulfato amónico que é o melhor dissolvente dos sais de prata. A sua acção é mais rápida que a do tiosulfato sódico.

4. LAVAGEM

Com o tempo, os produtos químicos provenientes do fixador que permanecem na película ocasionam a oxidação da imagem. Um banho profundo eliminará os complexos compostos de prata formados pelo banho fixador, evitando a oxidação.

A água tem de ser pura, tanto de sedimentos como de substâncias em suspensão, tais como sais de cálcio, magnésio, cloro, cobre ou ferro (que dão dureza à água). No caso de existir uma grande quantidade de sais, pode ferver-se ou fazê-la passar por filtros especiais para o efeito.

5. SECAGEM

A secagem consiste em evaporar o excesso de humidade que existe na gelatina para posteriormente a podermos manipular.

Para evitar defeitos na emulsão, tal como a fusão da gelatina, deformações no suporte, alteração da dimensão do suporte, etc., é conveniente que a secagem se efectue entre 25º e 40º de temperatura em condições de humidade relativa de 40% a 50%.

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